sábado, 4 de junho de 2011

Partir e deixar tudo para trás...just like that.

As voltas que dou com o meu próprio pensamento já não resolvem a confusão onde me sinto metida.
Como se de facas se tratassem, as memórias atraiçoam-me a visão de futuro.
Não consigo sentir o chão por muito que lá tente colocar os pés. Sinto-me pequena perante tanto desequilíbrio. É como se não me tivesse onde agarrar, porque todos os suportes que outrora usei, acabaram por ruir...duma ou de outra forma.
Nem sempre fui assim. Nem sempre tive a dificuldade elouquente de transpor o "pé atrás" para a frente. Mas o que agora sou é de uma tal liberdade que me atrevo a não ter de caminhar para me sentir voar. Fui construindo as minhas próprias asas, passo a passo.
Sinto-as preparadas a bater. Mas creio não ter descoberto o combustível que as fará permanecer no céu.
Um pouco de vontade. Atrevimento. Aventura. E enorme dose de confiança.
Onde fica a parte do coração que aos outros diz respeito? Aquela parte que se foi enchendo e esvaziando a ritmos alucinantes. Ahah! Rio que nem louca desta sucessão de acontecimentos...como é possível sermos tão fortes e no entanto tão fracos para nos deixarmos enganar pelos outros?
Então esse pedaço de coração nem devia ser preocupação. Qual altruísmo qual quê? Autismo de vez em quando parece-me solução.
Não é o que fazemos? Cada um olha por si e o que vier por acréscimo "está-se bem"?
Receio. Se com 21 já vi, senti e vivi o que até agora me foi proporcionado, o que mais por aí virá?
Bem que me tentaram cegar ao fazer de mim gato sapato. "Dura por fora, coração de manteiga por dentro". Foram tantos e tantos aqueles que, se apercebendo disso, me usaram para o seu mais bem precioso: vida.
E agora? Não posso por e simplesmente pegar em tudo o que até aos dias de hoje conquistei, separar vagarosamente em cima da cama, e optar por umas coisas em detrimento de outras. Depois meto-as numa mochila e levo comigo? O que é essencial? O que não é? Conto eu? Contam os outros? Não cabe tudo o que gosto. Não cabe se quer o que posso vir a gostar.
Posso ter muitos defeitos, mas sei quando me sinto preparada para enfrentar um batalhão de obstáculos. Mas só me sinto apta dia sim, dia não, dia sim, dia não...!
Entro diversas vezes em looping mental. E acredito que o colapso não está longe de acontecer.
Já aconteceu uma vez. E eu sei, eu sei que vai voltar a acontecer. Quer eu queira quer não.
Já parti uma vez, vontade não me faltará para voltar a partir. E que desse verbo não venha o que lhe está associado: quebra.
Como já veio. Mas será que veio mesmo? Ou não tive eu coragem suficiente de me fazer à vida e parar de pensar que posso tomar os antídotos do País das Maravilhas que dizem algo como "bebe-me que cresces" ou "come-me que diminuis". Ou é ao contrário? Que importa?
O eterno problema da Terra do Nunca a ele associado comprometeu-me as decisões.
Mas nunca é fácil veres-te entre a espada e a parede. Nunca será fácil partir e deixar tudo para trás.

7 comentários:

Luís Alberto Filho disse...

simplesmente...lindo! Parabéns de verdade. http://letrasyborroes.blogspot.com

Quimic disse...

Gosto muito... Mesmo! :)

Quimic disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Quimic disse...

E como o primeiro comentário para mim não era suficiente, acrescento: ...escreves como penso... Gosto!
No entanto, quero-te dizer que há muito mais caminho pela frente...Calma! :)
(PS: Continua a escrever...)

Um brasileiro disse...

oi. tudo blz? estive por aqui. muito legal. gostei. apareça por la. abraços.

Afonso disse...

Olá. Convido-te a visitar o meu blog "Gangster do Colarinho Multicor".
Procura no Google.
Obrigado.

Afonso disse...

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